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domingo, 10 de novembro de 2019

O CORAÇÃO DELATOR - 1843


"Defino a poesia das palavras como 
Criação rítmica da Beleza. 
O seu único juiz é o Gosto."
Edigar Allan Poe

Resenha: O narrador da história que não se sabe o nome vive com um senhor que também não se sabe o nome ou qual é o parentesco com o narrador. O narrador nos conta que esse senhor é muito rico, nunca fez mal a ninguém e o narrador nunca desejou seu ouro, não tem nada contra o velho até gosta dele porém ele tinha uma certa obsessão com o olho, ele diz que um dos velhos do velho parecia ser um abutre. 
O olhar do velho acaba mexendo com sua cabeça e ao longo na narrativa ele conta que decide matar o velho, simples assim. Ele planeja esse assassinado durante 7 dias, e todos os dias a meia noite ele vai até o quarto desse senhor, e esse processo demora em torno de uma hora só pra ele colocar a cabeça inteira através da porta e ficar observando. Mas era muito difícil ele executar o trabalho porque o velho estava sempre com o olho fechado, porque não era o velho que o incomodava mas sim o seu mau-olhado. Quando chegou no sétimo dia ele voltou no quarto com uma lanterna, ele sempre levava uma lanterna porque o quarto era muito escuro, ele acaba batendo o dedo em um ferrolho fazendo barulho e acordando o velho, só que esse senhor não faz nada e fica ali apenas sentado na cama sem reação e isso acaba durando muito tempo enquanto o narrador fica só observando. 
A partir dai a narrativa muda ficando cada vez mais sombria e sinistra, o narrador fica ali esperando o velho dormir e decidi ligar a lanterna, quando ele faz isso a luz vai direto no olho do senhor que estava aberto, ele dá um pulo em cima do senhor para mata-lo e depois que ele morre o narrador desmembra todo corpo do velho e coloca os pedaços embaixo do assoalho, ele faz isso de uma forma tão organizada e limpa que não deixa vestígio nenhum.  Quando o senhor é atacado ele acaba dado um grito, um vizinho escuta e chama a policia, a policia chega na casa do narrador e... eu vou parar por aqui.

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"É VERDADE! Nervoso - muito nervoso, pavorosamente nervoso tenho estado e estou; mas por quê dirá que estou louco? A doença aguçou-me os sentidos - não os destruiu - não os atenuou. Mais que todos, o sentido da audição foi intensificado. Eu ouvia tudo, do céu e da terra. Eu ouvia muitas coisas do inferno. Como, então, estou louco? Ouça com atenção! E observe a sanidade, a calma com que posso contar a você toda a história."

Esse conto é extremamente bizarro mas ao mesmo tempo mostra o que a mente humana é capaz de fazer quando o real se confundi com o imaginário. É um conto de terror psicológico pontuando o despertar da maldade, até que ponto o ser humano pode chegar para dar fim em algo que pode ser pura superstição? 
Esse é o segundo conto que leio do Edgar Allan poe e gostei muito, é um conto bem curto com uma narrativa bem fluída que faz com que o leitor mergulhe na história e na loucura do narrador se tornando um cúmplice silencioso do crime, no final da história o narrador oscila entre sanidade e loucura, e o mais bacana é que esse conto foi baseado em um caso real que aconteceu em Massachusetts em 1831.
Eu gostei bastante dessa leitura e pretendo continuar lendo outros contos do autor. Recomendo muito a leitura, vale muito a pena conhecer as obras de Edgar Allan poe. Tem um post sobre o conto O Corvo aqui no blog caso queira dar uma olhada e vou deixar aqui embaixo o link de compra na Amazon. 
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"Agora essa é a questão. Você acha que estou louco. Loucos não sabem de nada. Mas você deveria ter me visto. Devia ter visto com que sensatez eu agi, com que cuidado - e que prudência - com que dissimulação fiz meu trabalho! Eu nunca tinha sido tão amável com o velho como fui durante toda a semana antes de matá-lo."

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LIVRO LIDO

O Corvo e outros contos
Edgar Allan Poe
Editora: Pandorga
Ano: 2018/Páginas: 120

domingo, 3 de novembro de 2019

O MERCADOR DE VENEZA


Sinopse: Bassânio, nobre veneziano que malbaratou seus bens, pede ao amigo Antônio, rico mercador, três mil ducados para poder prosseguir com dignidade o noivado com a rica herdeira Pórcia. Antônio se dispõe a tomar emprestado o dinheiro a Shylock, agiota a quem antes havia insultado por causa da usura que exercia. Este consente em emprestar o dinheiro sob uma condição: se a quantia não for paga no prazo fixado, Shylock terá direito a uma libra de carne do corpo de Antônio. 


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Mais uma obra prima de Shakespeare.

Essa peça não é apenas uma comédia, ela envolve tudo, comédia, romance e tragédia. É uma peça bem divertida mas também muito incomoda por conta do seu antissemitismo bem explicito, mas tem motivo para isso. A rainha Elizabeth I tinha um médico português que era judeu e alcançou grande prestigio na corte, porém foi acusado de tentar matar a rainha e acabou sendo assassinado por isso, e por conta dessa loucura toda surgiu uma peça chamada O Judeu de Malta de Christopher Marlowe onde o personagem principal chamado Barrabás que é um judeu, é extremamente cruel e sanguinário e fez um grande sucesso na época.
Em O Mercador de Veneza a peça tem um tom antissemita bastante forte porém o judeu Shylock é totalmente diferente de Barrabás, tanto que as falas do Shylock são as mais bonitas de toda a peça.
O que Shylock pede ao Antônio é um pouco cruel mas se for analisar, Shylock foi muito mal tratado pelo Antônio e pelo outros também, dá pra entender suas razões, não que ele esteja certo mas Shylock quer a carne do Antônio por vingança e ressentimento, mas ao mesmo tempo ele não quer ser o autor do ato, e ele fala ao longo de toda a peça que se fosse com um cristão será que ele faria diferente? Ele seria mais misericordioso? 
É uma peça muito interessante que trás todas essas questões, é bem antissemita mas o que o autor faz aqui é problematizar a situação. 
A escrita desse texto é mais leve, o autor mistura prosa e poesia. Eu gostei muito desse texto pela fluides que ele tem, é uma delicia de se ler, bem diferente das outras peças. Eu fiquei bastante surpresa foi mais uma experiência deliciosa poder ler. Valeu muito a pena e recomendo fortemente a leitura. Essa foi mais uma leitura que faz parte do Projeto Lendo Shakespeare, essa peça se encontra no segundo volume Comédias que faz parte do Box Grandes Obras de Shakespeare, e a próxima leitura será da peça A Tempestade. Eu vou deixar aqui embaixo o link de compra do box e outras edições de O Mercador de Veneza.
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"Shylock - Se não nutrir mais nada,
nutrirá minha vingança. Ele me desgraçou, prejudicou - 
me em meio milhão; riu-se das minhas perdas, caçoou
dos meus lucros, escarneceu minha estirpe, atrapalhou
meus negócios, esfriou minhas amizades, afogueou meus
inimigos; e por que razão? Eu sou judeu. Um judeu não
tem olhos? Um judeu não tem mãos, órgãos, dimensões,
sentidos, afeições, paixões? Não é alimentado pela mesma
comida, ferido pelas mesmas armas, sujeito às mesmas
doenças, curado pelos mesmos meios, esquentado e 
regelado pelo mesmo verão e inverno, tal como um
cristão? Quando vós nos feris, não sangramos nós?
Quando nos divertis, não nos rimos nós? Quando nos 
envenenais não morremos nós? E se nos enganais, não
haveremos nós de nos vingar? Se somos como vós em 
todo o resto, nisto também seremos semelhantes. Se
um judeu enganar um cristão, qual é a humildade que 
encontra? A vingança. Se um cristão enganar um judeu, 
qual deve ser seu sentimento, segundo o exemplo cristão?
A vingança, pois. A vileza que me ensinais eu executo, e, 
por mais difícil que seja, superarei meus mestres."

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LIVRO LIDO

Grandes Obras de Shakespeare - Comédias
Obra Lida: O Mercador de Veneza
William Shakespeare
Editora: Nova Fronteira
Ano: 2017/Páginas: 448

quinta-feira, 31 de outubro de 2019

O CORVO

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Sinopse: O corvo é a obra mais famosa de Edgar Allan Poe, e considerado um dos poemas mais perfeitos já escritos por sua estrutura estética e literária. O enredo versa sobre os delírios de um homem após a morte de sua amada, Leonora, e trata sobre a dor da perda, a falta de esperança e a angústia da existência. O narrador sem nome está folheando um livro antigo em uma noite escura de dezembro quando ouve uma batida. Quando abre a janela, um misterioso corvo pousa sobre o busto de Atena, e o narrador começa a indagar-lhe sobre vários assuntos, sempre obtendo a mesma resposta. 


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"Abri então as persianas, quando com agitação e graça,
Adentrou um majestoso corvo, de virtuosos tempos
de outrora,
Nem ao menos cumprimento fez, ou por um minuto
parou sequer.
Mas com tal porte elegante postou-se, logo acima dos
meus portais,
Como se fosse o dono do busto de Atena, e nada mais.

E assim o pássaro de ébano desenhou um sorriso em
meu rosto triste,
Pelo decoro solene e severo de semblante em riste.
"Embora tenhas a crista curta e aparada", disse eu,
"certamente de covarde não tens nada.
Então, diga, velho corvo mal-humorado, que de noite
escura e sombria vaga,
Que nome levas, por estas bandas ou trevas?"
Disse o Corvo: "Nunca Mais.""  

É a primeira vez que tenho contato com o texto de Edgar Allan poe, já tinha ouvido falar sobre seus textos mas até então nunca tinha lido. 
Esse texto é simplesmente maravilhoso, o autor cria um clima de tenção e suspense conforme o texto vai avançando. O Corvo vai contar a história desse homem que não se sabe o nome e está extremamente triste pela perda da esposa Leonora, e que em uma noite fria recebe a visita desse corvo que fica empoleirado em cima do busto de Atena, e esse homem então decide conversar com o corvo mas o que ele não imaginava é que o animal responderia, e a cada pergunta o corvo sempre responde "Nunca mais", até que chega um momento em que esse homem se irrita e trava uma luta com o corvo e continua recebendo a mesma resposta, "Nunca mais." 
O poema tem muito simbolismo através do corvo, na Grécia Antiga o corvo era considerado uma especie de profeta, em alguns momentos o narrador chega a pensar que o corvo está ali para entregar profecias a ele, mas também por ser uma ave de cor preta e comer carniça ele também é considerado um animal que trás mal agouro, e sempre que ele aparecia era porque algo ruim iria acontecer, ele é muito associado as bruxas e também a morte, acredita-se que quando uma pessoa morria era ele que guiava a alma da pessoa tanto para o inferno quanto para o paraíso, por isso é muito comum ver não só imagens deles como até mesmo a própria ave em cemitérios. 
E tudo isso o leitor percebe conforme vai lendo, e quanto mais vezes se lê mais o leitor vai mergulhando no texto sem conseguir largar, o poema é tão incrível que dá vontade de ler em voz alta e contar pra todo mundo. Eu fiquei tão estasiada com esse texto que li 4 vezes, é um texto cheio de mistério, tensão e ao mesmo tempo bem sombrio mas que trás uma certa beleza, é um poema para ser degustado aos poucos, e como estamos em clima de Halloween Edgar Allan poe é um mestre quando se trata de morte e mistério.
O poema é fantástico, se você nunca leu leia, ele é fácil de ser lido mas precisa ficar um pouco atento aos detalhes, esse texto você encontra facilmente na internet, leia que vale a pena.
Eu vou deixar aqui embaixo o link de compra, lembrando que adquirindo esse ou qualquer outro título através deste link você contribui com o blog.
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"Mas o Corvo, tão somente ali sentado, sozinho e plácido,
Uma palavra apenas falou, como se fora de sua alma
que a derramou.
Nada além disso proferiu, nem ou menos uma pena
de sua asa sacudiu.
Até que, resoluto, murmurei:
"Outros amigos voaram antes e não voltaram jamais.
Amanhã ele me deixará e como minhas esperanças,
sumirá."
Então o Corvo respondeu: "Nunca Mais.""

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LIVRO LIDO

O Corvo e outros contos
Edgar Allan Poe
Editora: Pandorga
Ano: 2018/Páginas: 119

domingo, 20 de outubro de 2019

SONHO DE UMA NOITE DE VERÃO


"Hipólita - Mas toda a história dessa longa noite
E das mudanças conjuntas de suas mentes
Testemunham algo mais que fantasia
E transformou-se em algo mais constante,
Mas, mesmo assim, estranho e admirável."

Sinopse: Numa noite de verão, num bosque, quatro jovens enamorados encontram-se e desencontram-se: Lisandro ama Hérmia que ama Lisandro e é amada por Demétrio, que é amado por Helena; depois, Demétrio ama Helena, que ama Demétrio e é amada por Lisandro, que é amado por Hérmia. Na manhã seguinte, tudo se resolve e há um casamento triplo, pois casam-se também o Duque de Atenas e a Rainha das Amazonas. A festa que acontece no palácio do Duque, apresenta-se uma peça de teatro amador, escrita e encenada por trabalhadores locais. É hilariante de tão ruim a "comédia trágica", que teve ensaio naquela noite de verão, naquele bosque, habitado por fadas e duendes que têm seu rei e sua rainha, que disputam a guarda de uma menino indiano, e por isso esta Rainha apaixona-se, naquela noite de verão, por um mortal com cabeça de burro.


A primeira vez que tive contato com essa obra foi quando eu li na biblioteca da escola e era uma edição toda ilustrada, era o livro mais lindo que eu já tinha visto mas me lembro de ter lido e não gostado da história, não sei se era pelo fato de eu ser muito nova e não ter entendido direito mas só lembro de não ter gostado, se eu conseguir encontrar a edição que eu li na época vou deixa a capa aqui embaixo.
Apesar de toda essa confusão na história não é uma peça difícil de se ler e entender, a narrativa é bem fluida e diferente das outras peças por ser em forma de prosa e possui muitas rimas. É uma história maluca porém divertida e que chega beirar ao ridículo em alguns momentos, ela mexe com o imaginário. 
A peça traz muitos elementos fantásticos como magia, mitologia e claro romance. Eu gostei bem mais dessa peça agora do que quando eu li pela primeira vez mas não achei maravilhosa, a parte que eu mais achei divertida é quando um dos personagens é enfeitiçado e sua cabeça se transforma em burro e ele faz os comentários mais engraçados da peça, mas com certeza o meu personagem favorito é o Oberon que trás diálogos belíssimos, Titânia também é uma personagem incrível e o Puck que é o que causa toda a confusão na história.
Mesmo sendo engraçada ela consegue ser bem poética em alguns momentos, é fácil de ser lida mas que encenada você consegue ter um vislumbre muito maior dessa história que é mágica.
É uma peça fantástica assim como todas as outras de Shakespeare, essa peça é encontrada no segundo volume do Grandes Obras de Shakespeare de nome Comédias e faz parte do projeto de leitura Lendo Shakespeare, a próxima peça será O Mercador de Veneza, eu vou deixar aqui em baixo o link de compra para o box e outras edições dessa peça. Eu recomendo fortemente as obras de Shakespeare que pode parecer difícil mas não é, os textos são deliciosos de serem lidos e a experiência de leitura só enriquece.
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Sonho de uma noite de Verão - https://redir.lomadee.com/v2/2937692ce89

"Teseu - Bem mais que verdadeiro; eu nunca fui
De crer em fadas ou fantasias.
Loucos e amantes têm mentes que fervem
Com ideias tão fantásticas, que abrangem
Mais que a razão é capaz de apreender.
O poeta, o lunático e o amante
São todos feitos de imaginação;
Um vê mais demos do que há no inferno:
E o louco; o amante, alucinado,
Pensa encontrar Helena em uma egípcia;
O olho do poeta, revirando,
Olha da terra ao céu, do céu à terra,
E enquanto o seu imaginar concebe
Formas desconhecidas, sua pena
Dá-lhes corpo e, ao ar inconsistente,
Dá local de morada e até um nome.
Tal a força da imaginação."







LIVRO LIDO

Grandes Obras de Shakespeare - Comédias - Volume dois
William Shakespeare
Editora: Nova Fronteira
Ano: 2017/Páginas: 448